Limpeza de fim de ano no Ilê de Xangô


Todos os anos, o Ilè Ase Oba Iná Sàngo A-godo Aloxe realiza a limpeza de fim de ano, para preparar a chegada do novo ano, regido por outro Orixá.
À tarde, antes de iniciar a limpeza, é realizada a troca da bandeira do Orixá regente e é hasteada a do Orixá que regerá o ano novo, para renovar o axé. Esta bandeira fica hasteada, juntamente com a bandeira do Orixá Xangô, regente do Ilê, até o fim do ano vindouro.
Oxalá, o Orixá supremo, é o regente do ano de 2012. Sua cor é o branco e, de acordo com a mitologia iorubana, é a ele que se devem a criação e a administração do mundo. Oxalá é marcado pela calma, serenidade, dignidade e sabedoria, sendo sempre o último a ser reverenciado e a “chegar” nas festas. Destacam-se o Oxalá mais jovem e o Oxalá mais velho. Um dos Oxalás mais velhos é Orumiláia, o qual preside o jogo de búzios (Ifá).
Os símbolos de Oxalá são o bastão, o velho, o olho e a pomba. É caracterizado pela velhice, pela sabedoria e pela paternidade. No assentamento de Oxalá, usa-se ocutá (pedra) esbranquiçado, translúcido, ovalado.
Para entrarem no ano regido por Oxalá com muito axé, os filhos de santo, amigos e a comunidade local comparecem ao Ilê de Xangô, onde o axé de todos os Orixás é transmitido com muita força a todos os presentes.
Em que consiste a limpeza? É um ritual destinado a retirar as energias negativas acumuladas, para iniciar o novo ano com força, mais pureza e maior proximidade a seu Orixá. Assim, o objetivo é que o novo ano seja melhor, mais harmonioso e próspero que o que se despede.
No Ilê de Xangô, é costume a lavagem dos pés, realizada antes do recebimento do axé dos Orixás. Da mesma forma, a lavagem das mãos ao término, antes da marcação, renovando, assim, o axé de Ossanha, presente em todas as obrigações e ritos do Ilê. É dedicado a Ossanha, padrinho da casa, o cultivo de plantas e ervas, usadas nos rituais e nas frentes – o que consiste em mais um aprendizado dos filhos de santo.
Pai Sérgio de Xangô, ao conduzir a obrigação da limpeza de fim de ano, solicita aos Orixás paz, harmonia, felicidade e prosperidade a todos os participantes. Além disso, deseja a todos muito axé no ano que inicia.

Majestoso Toque em homenagem ao Orixá Xango (Sango) em 2010

Bori de Pai Sérgio

Como faz todos os anos, o Babalorixá Sérgio Machado realizou seu bori antes do Toque em Homenagem ao Orixá Xangô e demais Orixás, no dia 3 de julho.

A partir do bori estamos reafirmando nosso compromisso com a religião, nos fortalecendo e alimentando nosso Orixá. Bori, significa dar de comer a cebeça. Fazer bori é fortalecer, potencializar o axé.

Na ocasião estava presente sua madrinha Yalorixá Inaya de Oxum (filha consanguínea de Pai Vinícius de Oxalá e herdeira espiritual da Yalorixá Horacina de Oxalá, e seus filhos de santo, que prestigiaram o bori de Pai Sérgio.

Esteve presente também a Yalorixá Andrya de Iemanja, grande amida da casa, com alguns de seus filhos de santo.

O Babalorixá Sérgio agradeceu a presença de todos os presentes lhes desejando muito axé e prosperidade

A preparação do Acarajé


É necessário deixar o feijão fradinho ou o miúdo de molho em água, para, depois, retirar sua casca, a fim de preparar o Acarajé. Essa é uma atividade minuciosa que requer muita calma, pois cada grão é descascado isoladamente, o que demanda tempo e bom número de pares de mãos.
É aos Orixás Oyá, Xangô e Oxalá, no ritual gêge-nagô, que é servido o acarajé. Especificamente para Oxalá, prepara-se o prato com o cuidado de retirar totalmente a casca.
No dia 03 de julho, foi descascado o feijão no Ilê de Xangô Aloxé, quando também foi macerada a mostarda para o amalá. Pai Sérgio coordenou os trabalhos juntamente com seus Filhos de Santo.

Macerando a mostarda para o Amalá

Marca do preparo do Amalá, dedicado ao Orixá Xangô e servido no Toque em sua homenagem e aos demais Orixás, é a minúcia na escolha e limpeza dos ingredientes e na maceração da mostarda.
Pelo fato de ser um alimento importante no ritual religioso, é necessário que os Filhos de Santo vistam roupa branca, além do pano de cabeça e do filá, o que revela respeito aos Orixás.
Na maceração da mostarda, são retirados os talos e as raízes, e só então ela é macerada. A maceração permite a redução do sabor amargo, típico da planta.
A fim de conservar a mostarda macerada até o dia da festa, ela é congelada, o que impede a perda do seu sabor e das suas propriedades nutritivas.
A maceração foi realizada, neste ano, no Ilê de Xangô Aloxé, no dia 3 de julho, sob as orientações e os ensinamentos de Pai Sérgio de Xangô, que, com sua humildade e seu amor pela religião africanista, participa da atividade juntamente com seus filhos.